Bem Querer Mulher no Jornal Nacional

FONTE ORIGINAL: GLOBO.COM

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/03/pesquisa-mundial-indica-principais-problemas-que-mulheres-enfrentam.html

Edição do dia 06/03/2018

06/03/2018 21h14 – Atualizado em 06/03/2018 21h14

Pesquisa mundial indica principais problemas que mulheres enfrentam
Foram ouvidos 20 mil mulheres e homens em 27 países; percepção da violência sexual é até maior do que mostram os números.
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Uma pesquisa realizada em 27 países perguntou a quase 20 mil pessoas qual é o problema mais importante enfrentado pelas mulheres? O Jornal Nacional teve acesso em primeira mão ao resultado desse estudo.

Ela é uma de três gerações de uma mesma família marcada por agressões cometidas por homens. A mãe apanhava do companheiro e ela acabou vítima de abusos sexuais do padrasto.

“Eu pensava ‘eu sou culpada, porque eu estou engordando, criando corpo, estou chamando a atenção. Eu levei a vida inteira querendo contar para as pessoas da minha família’”, conta.

Ela se casou, mas logo veio a primeira agressão do marido. E, junto com ela, o divórcio. Mas não impediu que a filha se envolvesse numa relação abusiva. “Várias situações de violência psicológica e ela não queria que falasse para ninguém. O sentimento de culpa é muito grande”, conta.

Se tiver que apontar uma entre as tantas dificuldades que as brasileiras vivem, essa mulher certamente diria que é a violência. Essa a resposta de várias outras, e também de homens, que participaram de uma pesquisa sobre os maiores problemas enfrentados pelas mulheres no mundo.

Mulheres e homens de 27 países responderam que o problema mais importante enfrentado pelas mulheres é assédio sexual, seguido de violência sexual e violência física.

No Brasil, o que aparece no topo do ranking é violência sexual, depois assédio e violência física.

E chamou a atenção na pesquisa o fato de que a percepção desse tipo de violência é até maior do que os números oficiais. Entrevistados brasileiros disseram que acham que 55% das mulheres do país já foram vítimas de violência por um companheiro. Mas, segundo a pesquisa, a estatística é de 31%.

“O que a gente vê é que, por mais que exista a Lei Maria da Penha e um certo estímulo para que a mulher relate a sua violência, a gente sabe que as mulheres que realmente vão até uma delegacia relatar não são todas, então esse dado real também pode estar abaixo da realidade”, afirma Narayana Andraus, gerente da Ipsos.

“A nossa lei é muito boa. O equipamento público tem que se preparar melhor, a gente tem que ter mais casas de atendimento acolher essas mulheres; as próprias mulheres têm que sentir a confiança necessária, têm que ter o conhecimento da lei, então são vários fatores”, disse João Francisco Santos, fundador da ONG Bem Querer Mulher.

O João dirige uma ONG que já atendeu 80 mil vítimas de violência. Entre elas, a mulher que ouvimos nessa reportagem. Hoje, ela incentiva outras mulheres a romper o silêncio.

“Falar é bom, porque eu fiquei todos esses anos sem falar”, diz a mulher.

 

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