Coletivo “Não é Não” promove rede de apoio às mulheres

A violência contra mulher acontece durante todo ano. Mas no Carnaval, o problema se intensiva. O coletivo “Não é Não”, por exemplo, surgiu em 2017, quando uma das fundadoras sofreu assédio no pré-carnaval do Rio de Janeiro. Após o caso, quatro amigos cariocas se juntaram para pensar em alguma forma de informar a todos que o corpo feminino não é um convite.


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É preciso entender que quando a mulher está no Carnaval com roupas curtas e se divertindo, ela não quer ser importunada. Atualmente, o grupo é formado por mulheres de 15 estados do país. No Piauí, a embaixadora é a jornalista Luana Sena. Ela conta que o coletivo é uma rede de apoio às mulheres, que estará presente nas prévias e durante o Carnaval, distribuindo tatuagens com a frase “Não é Não” e ajudando a denunciar qualquer tipo de assédio.

“O ‘Não é Não’ funciona como uma rede de apoio às mulheres, as tatuagens servem como um carimbo no nosso corpo, usando nosso corpo de outdoor nessa luta de combate aos assédios. No período de Carnaval, isso triplica e muito pelo senso comum de que ninguém é de ninguém, tudo é permitido no Carnaval. É interessante porque uma mulher olha para outra e reconhece que ela também é do ‘Não é Não’, e podem ir juntas ao banheiro, comprar bebida, é uma rede de proteção”, explica Luana Sena.

Ação combate assédio durante as festas carnavalescas – Foto: Divulgação

Para produzir as tatuagens que são distribuídas gratuitamente, cada estado fez sua vaquinha virtual. Ao entregar a tatuagem, é explicado à mulher que ela pode procurar ajuda de outras mulheres, pois a produção da festa ou a polícia irá tomar as providências.

“É um trabalho de reeducação. A mulher precisa entender que, nessa situação de importunação sexual, ela pode atuar. A gente é uma ponte que vai levar ela a alguém especializado para resolver”, diz Luana Sena.

“Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade que é opressora”, diz psicóloga 

“Estamos em uma transição e toda transição é dolorosa, tanto para os homens quanto para as mulheres. Porque os homens foram ensinados que podem tudo, que o corpo da mulher é o que ele olha e pode sentir atração. E a gente ainda tem a questão da pornografia muito forte, quando a mulher se veste de outra forma para o Carnaval, o homem idealiza outras coisas. A gente precisa ter essa separação”, explica a psicóloga Amanda Graziela.

De acordo com ela, o homem precisa aprender que os tempos estão mudando. Mas tudo é uma questão de ensino, se o homem não quiser aprender através de uma conversa, ele vai ver que a mulher está mudando e vai ter uma diferenciação.

“No Carnaval, o homem tem que respeitar, olhar. Têm bloquinhos que têm pulseiras diferentes que significam: talvez; não; nem pensar; estou disponível. Porém, o estar disponível não é chegar e beijar, é conversar, se comunicar. A mulher pode se posicionar e dizer que não quer”, fala a psicóloga Amanda Graziela.

Há casos ainda que a mulher diz não e o homem não aceita, acha que é charme e chega até a perseguir a foliã. “Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade que é opressora. Que é necessário dizer para a mulher que ela tem que andar com alguém. Mas aos homens, é preciso lembrar que a bebida alcoólica não vai fazer coisas que de fato não deveria acontecer, ela faz o que seu interior quer, respeite a mulher”, conclui.

 

 

 

Fonte: Portal do Dia 

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