Como pequenos negócios comandados por mulheres podem sobreviver à pandemia?

Como fazer com que um pequeno negócio comandando por uma mulher sobreviva a uma pandemia? Postergar dívidas, estabelecer um novo caminho de diálogo com o consumidor e inovar, mesmo que nas coisas mais simples. Esse é recado do segundo dia desta edição de Universa Talks, que debate é sobre “A Mulher no Mercado Trabalho”.

O painel mediado pela jornalista e colunista de Universa Cris Guterres dialoga sobre desemprego e caminhos para o empreendedorismo, com a participação de Ana Fontes, CEO e fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME), Gal Barradas, fundadora da Gal Barradas Brand&Ventures e Verônica Oliveira, fundadora da empresa Faxina Boa.

Ana afirma que mulheres são estimuladas a empreender por motivos bastante específicos no Brasil, em especial no momento da maternidade, uma vez que os ambientes corporativos tendem a ser hostis para as mães. Outra motivação para iniciarem seus negócios é a necessidade financeira: 45% das empreendedoras tem o negócio como única fonte de renda para a casa, lembra Ana, ressaltando que, para estas famílias, a pandemia está sendo mais difícil de ser encarada.

“Especialmente as mulheres em situação de vulnerabilidade, que vivem em comunidades, perderam uma parte importante dos lucros.”

Como parte da resolução do cenário, Ana cita a necessidade de políticas públicas, entre elas acesso a crédito para manter o negócio durante a crise, além do letramento digital e da necessidade de inovar dentro da realidade de cada empresa. “A inovação não precisa ser vista como uma fórmula mágica da Nasa. Pode ser algo bastante simples, visando resolver os problemas mais básicos, visando a nossa sobrevivência. Não precisamos fazer mindfulness, yoga. Só precisamos sair vivas da pandemia.”.

O debate foi mediado pela jornalista, empreendedora e colunista de Universa, Cris Guterres, que contou em sua coluna sobre as dificuldades que enfrenta com seu restaurante, que já soma prejuízos de R$ 500 mil desde o início da pandemia.

Iletramento digital é desafio para pequeno negócio.

Gal destacou que o desenvolvimento digital é uma maneira de organizar uma base de dados e construir uma relação duradoura para as marcas. No entanto, é preciso ter em mente que nem todas as mulheres têm acesso à banda larga e nem conhecimento digital suficiente para digitalizar seus negócios.

Com a pandemia, de repente, milhares de pequenos empreendedores tiveram que encarar o fato de que o único meio de vender seus produtos ou serviços e manter o negócio ativo era por meio da internet. Isso trouxe de uma hora para outra necessidades de entender como um negócio digital funciona. “No Brasil, a maioria das empreendedoras não teve oportunidade de ter, antes de abrir a empresa, educação formal para empreender”, diz Gal. Ela reforça ainda a importância de dividir o conhecimento com demais mulheres e, com isso, ampliar a rede de contatos e de conhecimento.

Veronica conta que ela é exemplo vivo do poder dessa rede. “Fui a primeira faxineira no Brasil a criar conteúdo digital falando sobre o meu trabalho. Mas, durante muito tempo, não conseguia me enxergar como empreendedora, porque achava que esse título era destinado a quem gerava empregos. Demorei até entender que eu sou meu próprio RH, meu próprio atendimento, que gerencio a minha carreira”, conta.

Verônica vive na periferia de São Paulo e considera que ainda não ultrapassou todas as barreiras da inclusão digital. “Comecei usando o wi-fi da padaria para fazer os posts. Não tinha internet em casa. Hoje, por exemplo, precisei vir para um estúdio para conseguir fazer a live porque a qualidade da internet não é boa no meu apartamento. Muitas vezes a quebrada ainda está bem no começo da história.”.

Para quem tem uma pequena empresa, Ana, que já falou para Universa sobre as dificuldades das empreendedoras, recomenda adaptação. “Seu negócio era um antes da pandemia, e deve e vai ser outro durante a pandemia, e vai ser um terceiro no pós-pandemia”, diz a especialista, que reforça que pequenas ideias têm poder de manter seu negócio ativo: “O que eu posso criar dentro do meu negócio para continuar viva?”. E como esse debate foi sobre negócios, as participantes também aproveitaram para divulgar seus perfis no Instagram (Ana Fontes, Gal Barradas, Verônica Oliveira e Cris Guterres), afinal, toda hora é hora de divulgar boas ideias.

E como esse debate foi sobre negócios, as participantes também aproveitaram para divulgar seus perfis no Instagram (Ana Fontes, Gal Barradas, Verônica Oliveira e Cris Guterres), afinal, toda hora é hora de divulgar boas ideias.

E a maternidade, como fica?.

O terceiro dia do Universa Talks 2020 trará um bate-papo sobre questões específicas enfrentadas pelas mães no mercado de trabalho, além das dificuldades de conciliar o cuidado com os filhos, a casa e com os parentes idosos da família. Bel Santos Mayer, que coordena o Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC), abre a discussão desta quarta-feira (15).

Em seu speech, refletirá sobre a realidade das mães da periferia e os desafios diante do cenário atual. Logo em seguida, será realizado o painel “Maternidade e trabalho: mitos e verdades”, mediado por Marina Bessa, editora-chefe de Universa. O debate terá participação de Solange Sobral, vice-presidente de operações .

logística e suprimentos da Natura&Co. Universa Talks será realizado dos dias 13 a 17 de julho, sempre às 10h30. Acompanhe pela home do UOL, pelo Youtube, Twitter ou Facebook de Universa. Não é necessária inscrição.

FONTE: UNIVERSA

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