Completamente sozinhas, mulheres seguem em maternidade solo

 

Já que, hoje, falamos de “mães solo”, o carão é um recadinho pros “pais de selfie”. Para bom entendedor, um meme basta.

Completamente sozinhas, com rede de apoio ou com pai “presente” (entre aspas, se não está no dia-a-dia como, mesmo separado, deveria), mulheres seguem, cada vez mais, em maternidade solo. Na última QuantA especial do Mês da Consciência Negra, você vai conhecer cinco mães solo negras que esbanjam amor e poesia, mesmo matando um leão por dia e segurando touros pelos chifres. E quais são os desafios?

Ana Paula Pereira, mãe solo de Iara, é designer de moda e RP
Iara foi uma surpresa para Ana Paula que convive, diariamente, com as dores da fibromialgia. É fácil? Não é. E qual o maior desafio? Para ela, “as pessoas cobram muito da mãe, opinam sem serem questionadas, quando deveriam apenas abraçar e acolher. Me vejo as vezes tendo meus desejos ignorados, pois acham que sou nova e não entendo nada da vida. Seria cômico, se não fosse trágico. Maternar é muita treta!”. Principalmente para quem, como ela, pratica “criação com apego”, amamentando em livre demanda e estimulando a autonomia da bebê.

Foto: Divulgação

Ana Marcia, mãe solo de Abayomi e Ana Flor, vende trufas caseiras

Na foto, Ana aparece grávida da terceira filha que, infelizmente, morreu logo depois de nascer. Apesar da forte rede de apoio, é com a mãe que as meninas contam, em todos os momentos. Para ela, o maior desafio é educar e alimentar: “educar crianças negras para que tenham identidade, uma educação sexual, espiritual e, sobretudo, orgulho de quem são. Para que saibam se respeitar, respeitar o próximo e os princípios. Essa é uma das partes mas desafiadoras para mim”.

Foto: Divulgação

Elvisa Shalimar, mãe solo de  Maria Elisa e Maria Antonia, é professora da educação infantil
Ela terminou uma relação de 15 anos ao perceber que o mal estar interferia na mãe que estava se tornando. Desde então, segue enfrentando os desafios que  “são inúmeros, desde acolher emocionalmente minhas filhas e empoderá- las para seguirem um caminho de meninas pretas seguras diante do contexto monoparental até manter minha carreira em ascensão num mercado em que mulheres pretas e mães precisam se afirmar para atender demandas tal qual um homem. Além disso, voltar a me conectar comigo em experiências amorosas afrocentradas e encarar tudo isso com a leveza de quem goza a liberdade”.

Foto: Divulgação

Layane Fonseca, mãe solo de Ayana, é  assessora parlamentar
Depois de uma relação passageira e muitos exames por causa de uma crise de gastrite, ela descobriu a gravidez “acidental” quando a gestação já passava dos seis meses. Desde então, mora com a mãe e a filha cumprindo, todos os dias, a missão de educar. Layane tem o acolhimento da família paterna da filha e da própria família, e garante que “o maior desafio é educar, pois eu sou mulher negra e sei o quanto o racismo é cruel com as mulheres nesta sociedade em que vivemos. O racismo, o machismo, o sexismo, limitam nossos sonhos, nossos talentos”.

Foto: Divulgação

Elizabete Santos, mãe solo de Laíla, é assistente administrativa
Depois de um casamento de 18 anos, Elizabeth precisou se separar. Sem rede de apoio, aponta a questão financeira como uma grande dificuldade: “Ou você traz o dinheiro para casa ou você cria o filho. É uma grande responsabilidade. Pagar alimentação, escola, médico, dentista, material escolar, remédios, festa de aniversário… uma lista interminável. Educar e criar não é uma tarefa fácil. Tenho a ajuda de meus irmãos, é difícil assumir 100% sozinha”.

Saiu no site www.correio24horas.com.br

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