Denunciar agressão poderá romper o ciclo de violência contra a mulher, diz pesquisadora

Para Cristina Neme, os resultados do levantamento que aponta que mais de 500 mulheres são agredidas por hora no Brasil indicam um padrão de violência.

Os resultados da pesquisa que aponta que 536 mulheres foram agredidas fisicamente a cada hora no Brasil, ao longo de 2018, são preocupantes, na medida em que indicam uma manutenção, um padrão de violência contra a mulher.

A avaliação é de Cristina Neme, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entidade que encomendou o levantamento junto ao Datafolha. “Se a mulher não denuncia a agressão, não tem como romper esse ciclo”, alerta.

Os índices aferidos agora são muito semelhantes aos identificados em 2017, quando 28,6% das mulheres reportaram ter sido vítimas de agressão. Agora, são 27,4%, ou seja, não houve diferença significativa.

“Apesar de a legislação brasileira ter avançado e o tema da violência contra a mulher ter ganhado espaço público, muito mais do que antes, os índices de vitimização parecem permanecer”, aponta a pesquisadora.

Baixa notificação

Cristina lembra outro dado preocupante: a baixa notificação desses casos. “Cinquenta e dois por cento das mulheres disseram não ter feito nada em relação a essas agressões, o que chama a atenção para a necessidade de se efetivar políticas públicas e os canais de acesso a essas mulheres para que elas possam denunciar os casos.”

Para a especialista, diversos fatores podem contribuir para o baixo número de notificações, como o receio de fazer a denúncia, pois frequentemente o agressor é uma pessoa muito próxima, íntima da mulher.

“O perfil do agressor é de uma pessoa conhecida, a pesquisa indica. A mulher pode, muitas vezes, não desejar que ele seja preso, embora ela queira, sem dúvida nenhuma, que a violência cesse. O agressor pode ser o pai dos filhos, por exemplo”, aponta Cristina.

Descrédito

Outro fator que contribui para a mulher não notificar a agressão é o descrédito nas instituições, o receio de chegar à instituição policial e não ser bem acolhida, além do medo de não ser protegida depois que fizer a denúncia.

A impunidade, segundo ela, também contribui tanto para perpetuar a violência do agressor, que não é interrompido nessa sua prática, como para provocar o medo de ser novamente vitimada.

 

FONTE: REVISTA FORUM

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