João Santos

Articulando com os setores público e privado, João Santos conduz rede de combate à violência doméstica. Ele é finalista da categoria Eles por Elas do Prêmio CLAUDIA 2019

 

 

Antes da existência da Lei Maria da Penha, de 2006, o volume de campanhas de combate à violência doméstica era reduzido. “Não era considerada uma pauta para as empresas”, conta João Santos.

No Instituto para o Desenvolvimento Sustentável, ONG fundada por ele, João iniciou, em 2004, o programa Bem Querer Mulher para mobilizar a sociedade civil em relação à causa. Buscou apoio de companhias, da atual ONU Mulheres e da imprensa e gerou um fundo para captar recursos.

Esse movimento impulsionou a criação de um projeto de formação de agentes para atuar no acolhimento de vítimas de violência doméstica que oferecia cursos de 100 horas de capacitação para a prestação de assistência e encaminhamento das mulheres aos equipamentos públicos.

Ao longo de dez anos, foram treinadas cerca de 200 lideranças comunitárias de periferias da capital paulista, capazes de replicar o conhecimento. “Muitas líderes se engajaram bastante, mas não bastava formar”, diz João.

Em 2011, o programa firmou convênio com o governo estadual para levar as agentes a Centros de Integração da Cidadania (CICs), espalhados por diferentes regiões de São Paulo. Com a demanda crescente, ganharam sede própria e passaram a atuar em duas regiões.

Nesses espaços, as mulheres que sofrem com as agressões têm a quem recorrer, recebendo acompanhamento social, psicológico e jurídico. As dez agentes fixas se desdobram para atendê-las – no ano passado, foram registrados 5 mil atendimentos. Elas apoiam o registro de queixas nas delegacias especializadas, encontram vagas em abrigos e ajudam as vítimas a seguir em frente.

Nos bastidores, João mantém um trabalho contínuo de articulação com entidades públicas e privadas para ampliar a atuação do programa. Em uma dessas parcerias, iniciou uma nova frente de trabalho, voltada para a disseminação do combate à violência entre adolescentes. “É nessa faixa etária que começa a surgir o comportamento que leva à opressão”, diz.

No ano passado, um piloto da iniciativa, apoiada pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), reuniu 300 jovens para discutir e aprender mais sobre o tema. Até o final deste ano, serão 5 mil adolescentes do Amazonas, Distrito Federal, da Bahia e de São Paulo.

 

 

 

Fonte: Cláudia

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