“Me senti vulnerável, incapaz”, diz adolescente que gravou assédio de motorista de app durante corrida

Menina afirma que decidiu registrar o caso em vídeo para alertar outras mulheres

 

A viagem em que uma adolescente filma o assédio que sofreu por parte de um motorista de aplicativo durou cerca de cinco minutos. O caso, que aconteceu na Região Metropolitana, foi durante uma viagem solicitada pela menina de 17 anos, no último domingo (16).

Durante o trajeto, a adolescente diz ao homem que é menor de idade e ele afirma que isso “não é problema”. Nos vídeos, a menina está gravando o próprio rosto, enquanto segue a conversa com o motorista — confira a transcrição do diálogo abaixo.

Nesta segunda-feira (17), a menina registrou boletim de ocorrência na delegacia de Viamão. O caso será investigado pela Polícia Civil.

Conforme a garota, o assédio teria começado assim que embarcou no veículo. Apesar do medo, afirma que decidiu registrar o caso em vídeo para alertar outras mulheres da cidade.

— Foi uma viagem bem curta, dá cinco ou seis minutos de carro, só esse tempo já foi suficiente para ele. Fiquei nervosa, me senti vulnerável, incapaz, senti que não tinha o que fazer. Mas fiquei com medo de ser grossa e ele tomar alguma atitude pior — relata.

A adolescente, que falou com GaúchaZH acompanhada da mãeafirma que não esperava que o caso tivesse tanta repercussão. O condutor teve a conta banida pela Uber. Segundo a plataforma, a empresa tomou a medida logo após ser notificada pela passageira — veja a nota da empresa abaixo.

Ela afirma que se deslocava para um local onde encontraria com uma amiga e que, assim que desceu do carro, buscou ajuda. Ao desembarcar, conversou com a amiga e decidiu postar o vídeo. Em seguida, entrou em contato com a mãe, que a encorajou a registrar o caso.

— Não imaginava a repercussão. Acabei recebendo até relatos de outras meninas que pegaram Uber com ele, dizendo que também passaram por isso. Já tinha passado por situações parecidas, mas algo como um elogio e pronto, sem levar adiante. A gente sabe que todo dia isso acontece, toda mulher passa por isso, eu passo, minha mãe passa.

Polícia Civil abre inquérito para investigar o caso

Conforme a delegada Marina Dillenburg, o caso será investigado pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). O homem deve ser intimado para depor na terça-feira (18). A polícia também entrará em contato com a Uber para verificar se existem outros relatos de assédio contra o suspeito.

Segundo a delegada, a polícia aguarda que outras vítimas se manifestem:

— Nós pedimos que outras mulheres relatem assédios que tenham sofrido. A gente sabe que é algo recorrente. Essa jovem foi muito corajosa, então pedimos que, se outras mulheres passaram por isso, que também nos procurem.

Confira o diálogo:

— É que eu sou menor de idade — diz a garota no vídeo.
— Não é problema igual. Seria problema se tu tivesse 13 anos. Mas tu não tem 13 anos. Aí tu seria uma menor incapaz. De 14 anos para cima tu já é responsável.
— O que tu falou? — indaga a adolescente.
— Eu namoraria contigo, se tu não tivesse namorado — diz o homem.
— Mas acho que tu tem idade para ser meu pai, assim — rebate a adolescente.
— Mas não sou teu pai — responde.
— Mas tem idade — afirma a adolescente.
— Eu faria coisas que teu pai não faria. Pode ter certeza.
— Eu não tenho interesse, obrigada.
— Estou só brincando. Não estou dizendo que deveria ter interesse.

Confira a nota completa da Uber:

A Uber considera inaceitável e repudia qualquer ato de violência contra mulheres. A empresa acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos dessa natureza às autoridades competentes. A conta do motorista parceiro foi banida assim que a denúncia foi feita.

A empresa defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro. Todas as viagens com a plataforma são registradas por GPS. Isso permite que em caso de incidentes nossa equipe especializada possa dar o suporte necessário, sabendo quem foi o motorista parceiro e o usuário, seus históricos e qual o trajeto realizado.

Como parte do processo de cadastramento para utilizar o aplicativo da Uber, todos os motoristas passam por uma checagem de antecedentes criminais realizada por empresa especializada que, a partir dos documentos fornecidos pelo próprio motorista e com consentimento deste, consulta informações de diversos bancos de dados oficiais e públicos de todo o País em busca de apontamentos criminais, na forma da lei.  A Uber também realiza rechecagens periódicas dos motoristas já aprovados pelo menos uma vez a cada 12 meses.

Desde 2018 a Uber tem um compromisso público para enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil, materializado no investimento em projetos elaborados em parceria com entidades que são referência no assunto, que inclui campanhas contra o assédio e podcast para motoristas parceiros sobre violência contra a mulher, entre outras ações. Em novembro, a Uber anunciou um investimento de R$ 5 milhões para continuidade desse compromisso ao longo dos próximos anos.

 

 

Fonte: Gaúchazh

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