Na Paraíba, projeto defende direitos de mulheres negras e quilombolas na pandemia

Ação tem como objetivo amenizar impactos da pandemia da covid-19 na vida de mulheres negras quilombolas e periféricas

Para tentar amenizar os impactos da pandemia da covid-19 na vida das mulheres negras, quilombolas e periféricas da Paraíba, a Bamidelê – Organização de Mulheres Negras na Paraíba lançou na segunda-feira (6) o projeto Akoben – Mulheres negras na Paraíba enfrentando o Coronavírus.

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A ação tem apoio tem apoio do Fundo Socioambiental Casa e planeja possibilitar o acesso a informações qualificadas, instrumentos de prevenção e direitos básicos emergenciais. O foco das atividades será nas comunidades quilombolas de Caiana dos Crioulos, em Alagoa Grande, e no bairro Marcos Moura, em Santa Rita, cidade situada na região metropolitana de João Pessoa.

O projeto prevê a produção de máscaras por mulheres costureiras que ficaram sem trabalho, além da entrega de cestas básicas e kits de higiene, acesso a informações sobre o contágio, medidas de proteção e a entrega de mil máscaras.

Mulheres negras são as mais prejudicadas

Diante da pandemia do covid- 19, que tornou ainda mais visível as desigualdades sociais no Brasil, as mulheres negras foram as mais atingidas. Uma das primeiras mortes registrada no país foi de uma mulher negra de 63 anos que trabalhava como doméstica no Rio de Janeiro.

A Bamidelê, realizadora do projeto, é uma organização que trabalha na perspectiva de atuação de fortalecimento das mulheres negras e seus territórios no enfrentamento ao racismo.

“Esta ação surge da constatação de que pandemia revelou para a gente, de forma muito contundente, as desigualdade sociorraciais. Também já apontou que há populações que sofrem maiores impactos, dentre elas, a população negra, e sobretudo as mulheres negras. E além de todas as preocupações com o adoecimento em si, as mulheres negras desses dois territórios têm enfrentado as dificuldades materiais”, explica Terlúcia, coordenadora da entidade.

Muitas das mulheres trabalham na informalidade, em trabalhos precarizados, e algumas que trabalhavam em fábricas perderam seus empregos e ficaram sem o sustento básico.

“A maioria dessas mulheres chefiam suas famílias, e aí existe uma outra coisa na comunidade que é a falta de de conhecimento, de informação adequada. Há pessoas que duvidam que o uso de máscara, por exemplo, faz realmente a prevenção. E muito tem a ver com o que tem sido propagado na presidência, de que é uma gripezinha”, destaca Terlúcia.

A campanha prevê campanha de informação sobre a pandemia, com a veiculação durante três meses (a maioria em áudio), não só nas redes sociais, Instagram e Facebook, mas também nas rádios locais.

Fonte: BdF Paraíba

Edição: Rodrigo Chagas e Heloisa de Sousa

 

 

 

 

FONTE: BRASIL DE FATO

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